07 de setembro de 2026 · Bruno Buscariolli
Avaliação de Impacto de Políticas Públicas no SEFAZ-SC: DiD, RDD, PSM e Controle Sintético
Dentro do conteúdo de Métodos Quantitativos do Edital nº 01/2026 do concurso SEFAZ-SC (cargo de Auditor Fiscal, área Ciências Econômicas), um bloco inteiro é dedicado a métodos quantitativos avançados para avaliação de impacto de políticas públicas: Diferenças em Diferenças (DiD), Regressão com Descontinuidade (RDD), Pareamento por Score de Propensão (PSM) e Controle Sintético. São quatro técnicas com objetivos semelhantes — estimar o efeito causal de uma política — mas com pressupostos e cenários de aplicação bem diferentes entre si.
O método de Diferenças em Diferenças (DiD) compara a variação de um grupo que recebeu a política (tratamento) com a variação de um grupo que não recebeu (controle), antes e depois da intervenção. Sua validade depende centralmente da hipótese de tendências paralelas: na ausência da política, os dois grupos deveriam ter evoluído de forma parecida ao longo do tempo. Se essa hipótese for violada — ou seja, se os grupos já vinham em trajetórias diferentes antes da intervenção —, o estimador de DiD fica viesado.
A Regressão com Descontinuidade (RDD) é aplicada quando existe uma regra de corte (cutoff) que determina quem recebe o tratamento — por exemplo, uma nota mínima ou um limite de renda. A identificação do efeito causal compara indivíduos logo acima e logo abaixo desse limiar, sob a hipótese de que eles são comparáveis nas proximidades do corte. A validade do método depende de não haver manipulação da variável de corte pelos próprios indivíduos — testes como o de McCrary são usados justamente para detectar esse tipo de manipulação.
O Pareamento por Score de Propensão (PSM) busca comparar unidades tratadas e não tratadas com uma probabilidade parecida de receber o tratamento (o "escore de propensão"), calculada a partir de variáveis observáveis. Diferente do DiD e do RDD, o PSM depende da hipótese de ignorabilidade: assume que a seleção ao tratamento depende apenas de variáveis observáveis, e não resolve viés causado por fatores não observados que também influenciam a seleção.
Já o Controle Sintético é indicado especificamente para avaliar o impacto de uma política implementada em uma única unidade tratada — um único estado, por exemplo —, quando não existe um grupo de controle óbvio de comparação. O método constrói um "contrafactual sintético" combinando, com pesos, várias unidades de controle, de forma que essa combinação reproduza o mais fielmente possível a trajetória da unidade tratada no período anterior à política.
Uma forma eficiente de estudar esse bloco é organizar cada método em três perguntas: qual é o cenário de aplicação (quantos grupos, existe cutoff, existe uma ou várias unidades tratadas), qual é a hipótese de identificação por trás dele, e o que acontece quando essa hipótese é violada. É exatamente esse tipo de raciocínio aplicado — não a simples memorização do nome de cada técnica — que a banca FGV costuma cobrar nas questões de Avaliação de Impacto do concurso SEFAZ-SC.
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